#review46 – “Assassinatos na Academia Brasileira de Letras”, de Jô Soares

Título: Assassinatos na Academia Brasileira de Letras

Autora: Jô Soares

Número de Páginas: 256

Ano de Publicação: 2005

Editora: Companhia Das Letras

Sinopse: A princípio aquilo parecia um paradoxo ou uma brincadeira de mau gosto: durante seu discurso de posse, o senador Belizário Bezerra, o mais novo imortal da Academia Brasileira de Letras, caiu fulminado no salão do Petit Trianon. A morte de outro confrade, em circunstâncias semelhantes – súbita, sem sangue e sem violência aparente – trouxe uma tensão inusitada para a tradicionalmente plácida casa de Machado de Assis; um serial killer literário parecia solto pelo pacato Rio de Janeiro de 1924, e não estava pra brincadeira.

Um thriller irreverente

“Estão matando os Imortais!” Piada pronta, mas impossível de resistir. É esse o conflito que rege toda a história. Um assassino incógnito está a envenenar um a um os Imortais da ABL, e cabe ao comissário Machado Machado (é isso mesmo, o nome duplo é uma homenagem do pai do personagem ao fundador da cadeira nº 23 da Academia Brasileira de Letras) investigar o fato.

Carismático, com fortes traços dos heróis de thrillers noir, Machado Machado conta com a ajuda do amigo e legista Penna-Monteiro e de Galatea, a mulher que consegue fisgar o coração do galanteador comissário. Uma característica deste e de outros suspenses de Jô é que não há pistas reais ao leitor de quem pode ser o assassino, e nem é esse o foco da narrativa.

Somos convidados a participar da investigação de maneira mais despretensiosa. Assim, sem a responsabilidade de queimar a cabeça, nos dedicamos a rachar o bico com as cômicas situações que permeiam toda a trama.

Grande autor

Não é o meu primeiro Jô Soares. Li Um Xangô de Baker Street no ensino médio. Lembro que fiquei encantado com a mescla de humor e suspense magistralmente orquestrada pelo autor. Fato que se repete no Assassinatos na Academia Brasileira de Letras e em outros títulos de Jô, como As Esganadas e O Homem que Matou Getúlio Vargas (que deve ser meu próximo livro dele).

Indico para quem quer uma leitura leve, porém instigante. O autor tem um texto inteligente, rápido, rebuscado e, claro, muito engraçado. Não nos pede muito, apenas que escolhamos nossa melhor poltrona e nos deleitemos com suas histórias.

Jô Soares é muito bem sucedido em tudo o que faz. Conhecemos mais sua faceta de apresentador. Poucos sabem que ele já estrelou programas humorísticos, e muitos menos que ele se dedica à carreira teatral como diretor. Inquieto, acredito que Jô percebeu que ao escrever suas próprias histórias, conseguiria unir esses e outros talentos em um único trabalho. Em Assassinatos na Academia Brasileira de Letras, ele nos apresenta uma história cheia de humor e suspense, e dirige personagens tão cômicos quanto plausíveis. E enquanto vai assassinando alguns deles, nos mata de rir no caminho.

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