Herman Melville, dos mares à literatura

Herman Melville foi um escritor americano do século XIX. Nasceu em 1 de Agosto de 1819, em Nova York e faleceu 72 anos depois, em 28 de Setembro de 1891, na mesma cidade. Além de escritor, Herman foi poeta, ensaísta e chegou a trabalhar como professor, agricultor e bancário. Apesar de ter morrido na mesma cidade que nasceu, viajou muito pelo mundo em navios − o que influenciou boa parte de seus romances e contos, e mesmo tendo atingido sucesso no início de sua carreira como autor, morreu quase no anonimato.

A versatilidade de Melville

Uma característica pouco conhecida do autor é que ele teve escarlatina quando criança, uma doença infectocontagiosa que afetou definitivamente sua visão. Herman tinha mais sete irmãos, sendo ele mesmo o terceiro filho, e quando seu pai morreu em 1832, foi ele que cuidou e manteve a família, trabalhando em diferentes lugares de diferentes áreas. Entretanto, foi no mar e nos navios que ele mais permaneceu e foi o que trouxe inspiração para quase todas as suas obras.

Sua primeira viagem foi a bordo do St. Lawrence, um navio mercante que rumava para Liverpool e no qual ele embarcou como ajudante em 1839 já. Após, seguiu no Acushnet, um baleeiro em 1841 e viajou por quase todo o Oceano Pacífico abandonando-o quando este passou pelas ilhas Marquesas, na Polinésia − local de origem de alguns personagens seus também −, onde ele decidiu viver por um tempo. Os acontecimentos desse tempo que ele passou lá são relatados em seu livro “Typee”, de 1846.

Ainda no mesmo ano, Herman embarcou em outro baleeiro e após participar de um motim feito pelos tripulantes, acabou por ser preso numa cadeia no Tahiti, mas fugiu pouco depois. É importante saber que boa parte dos acontecimentos de suas obras de fato aconteceu com ele mesmo. Todos essas situações, do motim e prisão, estão no livro “Omoo”, de 1847. Herman serviu ainda como arpoador em outro navio e após retornou aos Estados Unidos como marinheiro em 1844.

Altos e baixos na produção literária

Herman Melville casou-se com Elizabeth Shaw em agosto de 1847, ano seguinte à publicação de seu primeiro livro, e embora tenha atingido sucesso nos primeiros anos de sua produção literária sofreu um grande declínio em reconhecimento dos anos posteriores. Ironicamente, a obra que deu início ao seu declínio foi a mesma que o trouxe aos holofotes com força total anos depois de sua morte, o livro “Moby Dick”, inicialmente chamado apenas de “A Baleia”, publicado em Londres em 1851. O livro hoje é considerado o magnum opus de Herman.

"Saber envelhecer é a obra-prima da sabedoria e um dos 
capítulos mais difíceis na grande arte de viver"

Seus livros geralmente trazem alguma aventura polinésia ou retratada nos mares, porém seu terceiro livro, “Mardi”, tem uma linha mais introspectiva, o que desagradou o público que já o acompanhava. Nos livros seguintes, Herman tentou retomar a fórmula que usava antes, mas seu tom era bem mais melancólico.

Em 1850, ele e a esposa mudaram-se para Arrowhead, Massachusetts, onde ele conheceu um de seus grandes amigos, Nathaniel Hawthorne, também escritor e para quem dedicou “Moby Dick”, que como já dito, foi seu declínio e foi um fracasso de vendas.

Herman Melville e a homossexualidade

Muitos estudiosos de literatura, como Gregory Woods, afirmam que Herman Melville era homossexual e que é possível notar o escritor falar de seus medos, desejos e pensamentos contraditórios em seus livros através de símbolos. Por viver no século XIX e ser casado com uma mulher, Herman não poderia se abrir tão facilmente. “Moby Dick” e outras obras são carregadas de cenas homoeróticas disfarçadas entre marinheiros, tanto sexuais como românticas − nenhuma explícita.

"Quem nunca teve medo é mais perigoso que um covarde"

Além da simbologia usada nos livros, as cartas românticas trocadas entre Herman Melville e Nathaniel Hawthorne, cheias de romantismo, pensamentos, desejos e ânsias de um pelo outro mostram muito de como Herman realmente se sentia sobre o seu casamento, a sua carreira e sua relação com Hawthorne.

Uma morte indigna

Após a publicação de “Moby Dick”, Herman nunca mais atingiu o sucesso dos primeiros anos e faleceu em 1891 quase totalmente como um anônimo, vivendo na obscuridade. Até mesmo na notícia de sua morte seu nome foi erroneamente escrito como Henry Melville, e apenas no século seguinte foi que “Moby Dick” adquiriu reconhecimento e foi considerada uma importante obra, trazendo-o ao conhecimento público de novo.

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